Dia 282 Nikko Turbo Panther

Normalmente acordo às 6.20h. Ontem, dia de Natal, dormi um pouco mais, já passava das 8h quando despertei, mas mais dormia se não fosse um barulho de fundo. Escutava o som de dados a serem lançados. A acompanhá-los, as minhas filhas “pegavam-se” logo às primeiras horas do dia.

Matilde: “Não é assim!”

Maria: “É, é.”

Saí da cama e observo-as a jogar o jogo de tabuleiro do Joker (jogo adaptado do concurso que passa na RTP). Ao que parece, já jogavam há uma hora. O Pai Natal presenteara uma delas, e ainda não sabiam de cor as regras de jogo. Aquele frenesim da novidade, fez-me recordar o que se passava há 30/35 anos.

Ao longo dos Natais, houve presentes desejados que por uma ou por outra razão, o Pai Natal nunca me trouxera. Acontece que, havia algo que não faltava, o par de meias, sempre acompanhado por um “É para teres os pés sempre quentinhos”. Abria o embrulho, constatava que era roupa e arrumava para o lado. Roupa alguma vez foi presente de Natal?!

Em 1986, passava na TV o anúncio de um carro telecomandado todo o terreno.

“Nikko Turbo Panter… pilota esta máquina e sente toda a emoção dos verdadeiros campeões… vamos, acelera a fundo, quem arranca com carros Nikko, chega seeeeempre à frente. Nikko, os melhores carros comandados à distância… de longe… da Concentra”

Naqueles meus 9 anos, uma grande caixa embrulhada, fazia parte do recheio do pinheirinho. Descoberta a caixa, passei a contar os dias para a Ceia de Natal, no dia 24 as horas para a meia-noite. Por mais que tentasse aldrabar os vários relógios que havia lá por casa, a meia-noite era mesmo à meia-noite.

Às doze badaladas, eufórico, lá abri a grande caixa e… sai-me um Lamborghini branco. O quê? Aquele carro não fazia parte dos Nikkos. Com pneus lisos e duros, era o mesmo que dar a um adulto uma bicicleta de estrada para pedalar no meio do monte. Observo o comando, vá lá, sem fio. Colocadas as pilhas à pressa, pressionado o único botão do comando (o dos Nikkos tinha 2), constato que o carro só andava para a frente e para trás. Não foram fáceis os momentos e os dias que se seguiram.

As Ceias de Natal são sempre marcantes. Desde elas tiramos lições para a vida.

Partilho uma: hoje percebo que em 1986 o dinheiro não dava para mais, guardo aquele brinquedo como o que até hoje mais gostei de ter.

Partilho outra: sinto falta de ter o meu par de meias.

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