Dia 365 O avião

Amanhã este diário faz um ano e tenho o enorme privilégio de viver num apartamento repleto de luz. 

Desde o hall de entrada do meu T3, distribuímos para 4 espaços: a cozinha, a sala, a casa-de-banho de serviço e o corredor de acesso aos quartos. Desde que o sol nasce até se pôr, este corredor tem sempre luz natural. Porquê? Porque a porta do quarto do meio está sempre aberta, por sua vez porque o estore do mesmo está sempre enrolado.

Pelas 6.30h levanto-me e enrolo o estore do meu quarto, o que permite mais luz no corredor. 30 minutos depois a minha filha mais velha acorda, mais 30 minutos é a vez da mais nova. É nesse momento que aberto o estore do terceiro quarto o corredor atinge o seu auge. 

Hoje passava-se algo estranho, o corredor estava sombrio e chamou-me a atenção. Eram 7.20h e a porta do quarto do meio estava fechada. Encostei o ouvido à porta e ouço sussurros. 

“Porque estão aí fechadas?”

“Por nada papá, não entres.”

“Toca a despachar.”

Passados uns minutos a porta abre-se e fez-se (ainda mais) luz.

“É para ti papá.”

“Obrigado filhinhas, que lindo avião.”

“Não é um avião papá, é um coração.”

Como referi, tenho o enorme privilégio de viver num lar repleto de luz.

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