Dia 375 Mãos de trabalho

Quem é que nunca ouviu esta expressão: antigamente não havia televisão, logo para passar o tempo, faziam-se filhos. 

Esta foi a mais pura das verdades, aliás, prova disso é a minha família. Do lado da minha mãe, os meus avós maternos deram-me 9 tios, ao todo, 10 foram os rebentos. Do lado do meu pai, a produção embora menor, produziu mais 5 filhos. Em suma, os meus 4 avós foram responsáveis por uma arroba de crescimento económico para o país. Por falar em tios, primos, já lhes perdi a conta, devem ser 30 e tal.

Há quem diga que nunca se viu tanta TV como no último ano. A causa é óbvia: confinamento.

Ontem dei por mim a apreciar dois momentos na TV.

O primeiro, a entrevista dada pelo Sr. Rui Nabeiro à TVI. Destaco a frase: “Eu gosto é de dar trabalho. Sonho com a criação de postos.”. Este Senhor, que ontem completava 90 anos, é, sem dúvida, uma inspiração. 

Uma hora depois, o segundo momento, um concerto na RTP 2. Acompanhada pela Orquestra Gulbenkian, Maria João Pires, atualmente com 76 anos, interpretava o concerto para piano número 20 de Mozart. Descobertas que são tesouros, vi uma que me chamou à atenção, as mãos de MJP não são delgadas como sempre pensei que as dos pianistas fossem. As mãos de MJP são mãos calejadas, diria mesmo que fiquei com a impressão de algumas subtis “deformações”. Sempre foram assim? Impressão minha? Facto recente?

Independentemente do que seja, já ontem era hoje quando o concerto acabou. Fui para a cama a pensar: numa só noite, passaram por mim 166 anos de vida.

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