Dia 400 Reservada Casa T4 em Valongo

Ontem aconteceu-me algo extraordinário, algo profundo e que jamais esquecerei.

No âmbito da promoção de uma casa em Valongo, promoção esta que durou pouco mais de uma semana, ontem formalizámos o contrato-promessa. Esse momento ocorreu na própria casa, e ao todo estávamos 9. Estava eu enquanto representante da parte vendedora; estava a minha colega Sandra, enquanto representante da parte compradora e com quem partilhei 50% da comissão; os meus clientes, um casal; os clientes dela, outro casal; por fim os dois rapazes, filhos da minha cliente.

Eu cheguei 10 minutos antes da hora marcada e conversei um pouco com os meus clientes. De seguida “fui buscar” a parte compradora e entrámos na casa. Perguntei se fazia sentido reverem a casa, o que aceitaram. Ainda apresentei a garagem, mas rapidamente passei a pasta ao meu cliente e ele encarregou-se de fazer a visita. Dei por mim a observá-lo, e a pensar naquele momento alto: “que talento, nem eu faria melhor, ainda o vou contratar”.

Feita a visita, o segundo momento alto: E então, ao que parece a casa vai ser vendida… como te sentes, estás contente? — Perguntei eu a um dos filhos da minha cliente. O aceno aconteceu e estava implícita a cumplicidade daquele rapaz com a felicidade da mãe.

Já na mesa reunidos, apresentei o contrato-promessa, e passámos às assinaturas. Concretizado o negócio, o meu cliente tinha preparado outro momento. Havia uma garrafa e 6 flutes para brindarmos. Assim o fizemos. Tinha que ser um brinde à altura, visto que a parte compradora nem dormiu por 4 dias, tal era a vontade de ter aquela casa. Mereceu-a, sem dúvida. A relação entre os clientes tocou-me, tal foi a empatia criada.

Na casa estava também a Hope, uma cadela cujo nome traduzido à letra significa Esperança.

Limitado ao meu papel profissional, dou por mim a proporcionar a concretização dos sonhos de vários clientes. Este dois casais por exemplo, por coincidência, têm ambos um sonho comum, isto é, ter o seu próprio lar. Um lar só deles, sem histórias, nem memórias.

Já no fim de tudo, já depois de a parte compradora, aliviada e hiper contente ter saído, agradeci ao meu cliente, e despedi-me dele com uma profunda gratidão… foi recíproco. De repente ouço isto:

Mas fui eu que o encontrei, Cláudio. — Respondeu a minha cliente em tom de brincadeira… de facto foi.

Já na porta, dei-lhe um abraço e dirigi-me à porta. Dei dois passos, olhei para trás e disse-lhe: nunca dei um abraço a um cliente.

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