Dia 418 O sapo

Na passada sexta-feira, há 4 dias, colocámos no mercado um apartamento, duas horas depois liga-me um colega, em êxtase, a querer marcar uma visita; marcámos para segunda-feira e informei-o que a visita dele seria a primeira.

No dia seguinte, sábado, novamente extasiado e percebendo ele que o imóvel entrara muito bem no mercado… — Cláudio para fechar já o negócio, qual o valor?

Pelo preço anunciado. — Respondi eu.

Ena, não estás muito simpático hoje… — Afirmou ele.

Tens forma de garantir o imóvel para a tua cliente, mas será que a tua cliente não quer ver o apartamento primeiro? — Eu.

Ela adorou o apartamento e tem tudo o que ela quer. — Ele.

Há quanto tempo andas nisto? — Sabendo eu que há mais tempo que eu… — Primeiro vamos fazer a visita, caso ela queira avançar, falaremos na negociação e se fecharmos, com todo o gosto, “engulo o sapo”. — Respondi eu em tom de brincadeira.

Vais ver como o vais engolir… — Triplamente extasiado respondeu o meu colega.

A visita ocorreu ontem. Cada comprador é um comprador e caracterizo-os em dois grupos: os outros, e os que admiro pela sua razoabilidade. Os poucos anos que tenho de imobiliário já me treinaram a mente para perceber o seguinte: se um visitante entra no hall de entrada do imóvel e já deitou cá para fora um defeito, muitas vezes em viva-voz, à partida, a visita resulta numa perca de tempo.

Há também aqueles que o fazem antes de passar a sola dos seus sapatos no tapete de entrada.

Agora voltando à parte (mais) séria: oxalá engolisse mesmo o sapo.

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