Dia 497 A cicatriz da senhora

Estas férias de duas semanas estão a ser passadas no Algarve.

De há uns dias para cá, a rotina acaba por ser sempre a mesma, e deixem que vos diga, sabe muito bem.

Chegamos à Praia de Centeanes (zona do Carvoeiro, concelho de Lagoa) por volta das 10h, e estendemos as toalhas a uns 20 metros da água. Pelas 13h, com a água mais subida, já só sobrando 10 metros à nossa frente, recolhemos as toalhas e vamos almoçar à esplanada de um restaurante que se chama O STOP. Os empregados são muito eficientes e simpáticos… gosto mesmo deles.

Durante esse período de 3 horas, ontem aconteceu algo que gostava de partilhar com vocês:

Dei por mim a observar um casal na ordem dos 70 anos que estava mesmo à nossa frente, talvez a uns 4 metros. Vi-os a colocarem-se de pé e dirigirem-se à água, pararam precisamente naquela parte em que a água se infiltra na areia e o tom areia escuro, segundos depois passa a areia claro. Vi-os a iniciar um jogo que consistia no lançamento de uma pequena bola vermelha; ele lançava-lhe a bola exatamente da mesma forma como eu lançava na minha infância, isto é, com alguma firmeza e de cima para baixo, ela “à menina” de baixo para cima; estiveram por ali uns 10 minutos a jogar. Depois, vi-os a irem ao mar juntos; refrescaram-se enquanto sorriam, enquanto desfrutavam. De seguida, vi-os a voltar para a toalha e escarrapacharem-se ao sol; um minuto depois, vi-os a trocarem discretos momentos de ternura, nomeadamente a mão suave dele, nas costas cicatrizadas dela, igualmente um “bate-chapa”. Dez minutos depois, sentados com o mar de frente, liam cada um o seu livro…

Sem certezas, especulei: pela idade, este casal já deve estar unido há décadas, e continuam focados um no outro.

O mesmo se passa na Mediação Imobiliária, com foco, pode ser para toda a vida.

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