O abraço

Na casa estava também a Hope, uma cadela cujo nome traduzido à letra significa Esperança...

O abraço

Ontem aconteceu-me algo extraordinário, algo profundo e que jamais esquecerei.

 

No âmbito da promoção de uma casa em Valongo, promoção esta que durou pouco mais de uma semana, formalizámos o contrato-promessa. Esse momento ocorreu na própria casa, e ao todo estávamos 9. Estava eu enquanto representante da parte vendedora; a minha colega ZOME Sandra, enquanto representante da parte compradora, e com quem partilhei 50% da comissão; os meus clientes, um casal; os clientes dela, outro casal; por fim os dois rapazes, filhos da minha cliente.

 

Eu cheguei 10 minutos antes da hora marcada e conversei um pouco com os meus clientes.

 

De seguida “fui buscar” a parte compradora e entrámos na casa. Perguntei se fazia sentido reverem a casa, o que aceitaram. Ainda apresentei a garagem, mas rapidamente passei a pasta ao meu cliente, o qual se encarregou de fazer a visita. Dei por mim a observá-lo, e a pensar naquele primeiro momento alto: Que talento! Nem eu faria melhor, ainda o vou contratar!

 

Feita a visita, o segundo momento alto: Ao que parece a casa vai ser vendida… como te sentes, estás contente? — Perguntei eu a um dos filhos da minha cliente. O aceno aconteceu e estava implícita a cumplicidade daquele rapaz com a felicidade da mãe. 

 

Já na mesa reunidos, apresentei o contrato-promessa, e passámos às assinaturas. Concretizado o negócio, o meu cliente tinha preparado outro momento. Havia uma garrafa e uns flutes para brindarmos. Assim o fizemos. Tinha que ser um brinde à altura, visto que a parte compradora nem dormiu por 4 dias, tal era a vontade de ter aquela casa. Mereceu-a, sem dúvida. A relação entre os clientes tocou-me, tal foi a empatia criada. 

 

Na casa estava também a Hope, uma cadela cujo nome traduzido à letra significa Esperança. 

 

Limitado ao meu papel profissional, dou por mim a proporcionar a concretização dos sonhos de vários clientes. Este dois casais por exemplo, por coincidência, têm ambos um sonho comum, isto é, ter o seu próprio lar. Um lar só deles, sem histórias, nem memórias. 

 

Já no fim de tudo, já depois de a parte compradora, aliviada e hiper contente ter saído, agradeci ao meu cliente, e despedi-me dele com uma profunda gratidão… foi recíproco. De repente ouço isto: Mas fui eu que o encontrei, Cláudio. — Respondeu a minha cliente com “ciúmes” e em tom de brincadeira… de facto foi.

 

Na saída, dei-lhe um abraço e dirigi-me à porta. Dei dois passos, olhei para trás, olhei-a nos olhos, e disse-lhe: nunca dei um abraço a um cliente.